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domingo, 4 de abril de 2010

Traições


Hoje descobri que meu pai tem uma filha com alguém que desconheço.
Já não tenho desculpas para me sentir vítima, já sou adulta e racionalmente deveria entender e aceitar a situação.
Mas a única coisa que consigo sentir nesse momento só pode ser descrito como RAIVA.


Raiva de todos os homens que me decepcionaram durante toda minha vida. Uns mentiram, outros esconderam e dissimularam, muitos não me apoiaram quando precisei, outros deliberadamente me iludiram pelo prazer do esporte.
Me sinto traída na alma.

Bom, paro por aqui meu showzinho de melodrama barato. E entra agora a verdade nua e crua.

Fico pensando naquela psicóloga cretina que afirmou que a infidelidade é algo importante para os homens se definirem na sua masculinidade e individualidade.
Bullshit!!
Eu mesma algumas vezes afirmo e reafirmo a diferença dos sexos, mas nem por isso justifico a incongruência masculina pela falta de respeito e egoismo exacerbados. E em geral os homens são assim porque os permitimos serem assim. São as mães imbecis incentivando e mimando esses infelizes, são as namoradinhas estúpidas e abobadas acreditando em todas as mentiras deslavadas, esposas aceitando todo tipo de humilhação em favor da manutenção da sua baixa auto-estima depenada por anos de sofrimento.

A mulher é a culpada de tudo isso, porque tem medo da solidão, porque não sabe viver sem a função de mãe, de mantenedora, de amiga, de psicóloga, de consolo, de colo, de apaziguadora e o caralho... Ela quer tanto ser aceita que vira uma palhaça problemática.
Ela pensa que pode ser a solução dos problemas masculinos, quando na verdade o caminho dela deveria ser o inverso: resolver os seus problemas primeiro, que aliás são muitos hoje em dia...

Ela pensa que pode mudar o indivíduo, pensa que pode ser melhor que a namorada ou esposa, pensa que pode completá-lo com seu amor... Chega a ser ridículo...

E me pergunto: como posso eu em sã consciência almejar constituir uma família, se não posso compartilhar da hipocrisia generalizada de um casamento baseado em falsas premissas. Se carrego toda essa mágoa pelas traições passadas e que ainda continuam a acontecer e provar para mim dia a dia que minha mágoa tem razão de existir... Se quando menos se espera, vem esse bicho irracional e te apunhala pelas costas...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quase 30.


Este mês completo vinte e nove anos de idade e antes mesmo de qualquer insinuação piegas sobre a difícil vida de uma mulher de quase trinta, quero apenas manifestar meu eterno agradecimento aos meus amores frustrados. Amores são amores e são sempre sublimes e perfeitos na sua imperfeição.

Posso afirmar categoricamente que perdi minha capacidade de amar em algum lugar e tempo passado e esquecido. Nem sei por onde começar a procurar...

Dizem que está no nosso DNA, que o ser humano quer amar e ser amado, que há um certo magnetismo inerente que nos aprisiona nesse sonho egoísta chamado amor.
Eu digo que não... mas posso estar errada, afinal nem tenho trinta... ainda.

Não quero entrar na discussão sobre amor vs. paixão vs. sexo vs. tesão... Aliás, dizem as más línguas, nós mulheres, misturamos tudo mesmo!

E preciso admitir que sempre tentei separar muito bem os sentimentos. Mesmo com a pulsão desenfreada e feminina gritando dentro de mim para me deixar ser mistério, poesia, metafísica.

Passei grande parte da minha vida tentando entrar em compasso com o universo, quando na verdade caminhava na direção contrária com meus discursos neo-feministas extremistas e minha soberba diante do amor.

Então foi isso. Escondi o amor numa caixinha escondida debaixo da cama, enquanto brincava de ser homenzinho. Escondi tanto que esqueci. E enxergo tudo com a brutalidade da realidade crua e sem graça. Ilusão faz-se necessária. Esperança, também.

E me vejo abandonada por mim mesma, à deriva de meus sentimentos. Lutando contra o inevitável.

Mas não sou mais uma mulherzinha de trinta desesperada por um casamento, uma família, filhos...

Eu sou mais que isso, mais complexa, mais raiva, mais vontade, mais necessidades, mais dor, mais sabor, mais cor. Me recuso a ser um corpo vazio liderado por um contingente de hormônios desenfreados. Me recuso a ser posse, ser objeto, ser sofrer... Recuso a posição de mercadoria na prateleira a espera de um terno comprador ou compulsivo usuário.

Amar tem várias direções. A primeira que nós mulheres precisamos aprender é a do amor-próprio. A outra direção... bem, vou deixar para o inusitado amanhã...

E como diria Jabor: "O amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Je m'appelle Réalitè...

... e um dia você acorda e se dá conta de que tudo o que você sonhou e desejou pode não passar de fantasia...
... se dá conta também de que é muito trabalhoso buscar o seu "eu" verdadeiro...
... de que viver e sobreviver são coisas distintas e que podem ser excludentes...
... e percebe que o tempo não pára para você descobrir o que veio fazer nesse mundo.
Se você tem vertigem de quedas e abismos, pode nunca viver com emoção. Ou se é um espírito selvagem pode esquecer-se de que a vida não é só feita de frio na barriga e arrepios na espinha.
Fico pensando quais as angústias das pessoas em um tempo em que as relações eram sólidas e duradouras, em que a palavra e o caráter de um homem valia ouro.
Hoje somos humanos fragilizados pelo materialismo consumista, que nos transforma em objeto descartável, sem maturidade de sua própria existência.
Concordo com Bauman quando diz que a modernidade é líquida. Ela é mutante, inconstante, transitória...
Sim, nossos relacionamentos também o são...
Somos feitos hoje de vínculos líquidos. Frágeis laços humanos que podem ser desfeitos a qualquer segundo, por qualquer razão.
O mundo corre e sentimos a opressão de tentar seguir esse ritmo maluco que nos é imposto. Se você parar para apreciar a paisagem talvez perca sua posição na corrida frenética da vida, talvez seja atropelado.
E nesse malabarismo é que me pergunto como posso definir esta fluidez e inconstância de minha própria identidade.
Tenho uma amiga que sempre me diz que eu sou "muita realidade" para uma pessoa aguentar... Tirando o lado da brincadeira, eu sei como às vezes sou cruel e pessimista. Mas é algo que não consigo modificar.
Uma vez aberta a Caixa de Pandora, there´s no turning back...