sábado, 1 de janeiro de 2011
Esperando a tempestade passar...
Todos os anos, promessas para a chegada de uma nova vida...
Sempre achei q a magia de se viver fosse essa renovação de todas as coisas da vida... os ciclos... as histórias... as estações do ano... o sol que vem depois da chuva... as despedidas dos anos que se passam...
E sempre acreditei que toda vez em que eu sofresse muito, uma coisa muito boa se sucederia...
Pois bem, meu coração está todo picotadinho, feito papel depois da primeira tesoura para a criança!
E eu abri todas as janelas do meu coração, abri portas e abri cortinas, tirei tapetes, estiquei as redes, mas tropecei na ansiedade, tropecei porque queria tanto acreditar que as flores de cerejeira poderiam florescer antes da primavera... Fui gananciosa... imediatista...
Preciso aprender a PARAR... andar ao invés de correr... Sentir a brevidade da vida sem o desespero de quem vai morrer amanhã... Respirar calmamente... Deixar acontecer...
E acreditar!
Acreditar que o que é meu ninguém tira. Que minha história ninguém rouba. Que todos os clichês do mundo são legais. Que muitas e muitas pessoas estão carregando ideologias lindas parecidas com as minhas. Que a pessoa certa existe, independente da hora certa, do lugar certo, de qualquer outro parâmetro... que uma força muito maior, apesar das adversidades vai nos unir... E que não importa o tempo, o espaço...
E eu posso ser brega, ingênua, imatura e babaca... E é a melhor sensação do mundo acreditar e sentir genuinamente essa felicidadezinha bobinha que nos faz sorrir sem ter motivo, que nos faz levitar, sonhar, acreditar!
Eu espero a tempestade passar...
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
when a tornado meets a volcano...
sou fúria, vc paz...
o yin e o yang...
o preto no branco
e talvez a luz na escuridão...
ou a sombra para te proteger do sol
e deixar sentir e libertar
essa energia de atração
de opostos e sobrepostos,
de completude e vazio,
de medos
e desejos
de coragem
e quietude.
e toda essa força,
de dor e de vidas...
porque te esperei uma existência inteira
e agora te vejo
longe e triste
através de janelas seladas de vidro
e nem toda a força desse furacão descontrolado
é capaz de derrubar essa muralha...
e o ele perde a força,
perde o sentido,
perde a vontade de existir como força da natureza
vira um sopro do que um dia foi.
não há mais busca...
por isso ele morre.
por que tentar por erros o que já se sabe descoberto?
então melhor fechar o coração,
sentar,
respirar,
fechar os olhos
e acalmar os gritos dessa alma selvagem.
domingo, 31 de outubro de 2010
Borboletas no estômago...

Pensei ser mais forte, mais racional, mais inteligente do que qualquer dessas frivolidades... Pensei e pensei... e tropecei.
E me vi, aqui, parada, chorando, não compulsivamente, mas aquele choro que não quer acontecer e se esvai assim sem você deixar, sem poder conter. E são lágrimas grossas, que deslizam pelo rosto todo e às vezes molham sua roupa, sua cama, seu chão gelado...
Porque tenho medo.
Medo de que todas as verdades horríveis sejam verdades de verdade. Porque as minhas verdades, podem não ser verdades a menos que alguém venha me provar o contrário. E eu rezo dia e noite para que esse alguém me prove o quanto estou errada e me tire dessa solidão dilacerante.
E tenho sido corajosa e forte. E sou forte. Yes, I am! E estou cansada. Cansada de ter que ser sempre forte, de ser tão independente, de ser tão corajosa... Queria poder ser só mais uma menina em busca de um amor, de romance, de borboletas no estômago...
Aprendi a ser sozinha e me bastar, mas há dias em que penso que quero abraçar o mundo e ele é tão grande... E há dias em que o sinto pequeno e tão imperfeito e tão indiferente a mim...
E sou pequena e muito grande para caber dentro de mim.
E transbordo em todas as direções... E vejo que o mundo é tão maior que minhas pequenas complicações e vejo que ele me quer livre e eu querendo me aprisionar...
só um pouquinho, porque cansei de voar sozinha...
domingo, 10 de outubro de 2010
Eat Pray Love

Comer, rezar, amar é mais uma dessas historiazinhas de mulherzinha em conflito por conta dos relacionamentos que não a preenche. Quem sabe a verdadeira Elizabeth Gilbert tenha passado por processos e buscas muito mais profundas e tenha sido muito mais autônoma e independente do que a chatice da personagem de Julia Roberts poderia exprimir.
Primeiramente tenho que ponderar minha falta de simpatia pela atriz, talvez isso influencie de maneira absurda minha análise. A personagem em si se mostra tão carente de vontade própria, antes e durante a viagem, que me frustra completamente como espectadora que quer encontrar sua heroína para fugir das mazelas de uma vida meio em p&b.
Toda vez que ela toma uma decisão, por mais que pareça sair de seu íntimo, as ações acontecem carregadas das essencias dos outros e não dela própria. Dos três lugares que ela visita: Itália, Índia e Indonésia, 2 delas me parece que foram decisões tomadas por outros. Na Índia ela vai atrás da guru de seu ex-namorado (típico daquelas mulheres que se transformam à imagem e semelhança dos seus homens). Em Bali ela retorna como que cumprindo a profecia de um xamã que já visitara anos antes. Até mesmo para decidir se fica com seu novo affair latino (Javier Bardem brasileiro, diga-se de passagem), ela precisa se certificar com os conselhos da sua curandeira e do seu xamã...
Acho que o filme não conseguiu captar a verdadeira busca da personagem. E no fundo do coração, apesar de ter tentado me despir de qualquer crítica ruim à Julia Roberts, o fato é que continuo achando que ela interpretou ela mesma dentro do contexto da Liss.
Os temas são profundos, mas a abordagem é tão rasa quanto a visão hollywoodiana pode alcançar.
Talvez eu me apaixone pelo livro, mas de fato não fui capturada pelo filme. Um tanto frustrante, pois corri ao cinema com meu coração aberto e uma pitadinha de inveja da mulher que largou tudo para trás e foi em busca do seu Eu despido de todas as máscaras e cicatrizes.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
I feel empty

Every day I think about what to write in my blog and everyday I feel I have nothing to say. This feeling is killing me inside. I feel empty!
Like an empty shell in this ocean that now seems so huge... and it's so huge. In fact, the hugeness of this beautiful and mysterious sea that is life itself will one day be where I'll sail my adventure.
But for now I just feel empty and lost.
What still keeps me sane is something similar to the feeling of hope. But it's not cause I've been pessimistic amost my entirely life. So, what it is?
I suffer from insomnia. It's horrible. It makes you think about your life and what you are doing with it. Sometimes when I finally sleep I find myself fighting to be asleep forever.
I can't feel happy while I'm working. In fact, I think that I'm a worst person when I'm working... a killing machine, a tractor, a weird fast and furious machinery.
Therefore I feel a certain kind of dark pleasure. I like puzzles and stuffs like that. I think I like to prove myself that I can do better or purely that I can and full stop.
Every day I think a different reason to escape. And every day I think about a new solution.
But they just survive a few hours, sometimes a few days.
And days goes by and I'm still here... in the same spot, the same hole in my stomach, the same frustration, the same fear of never knowing anything about my life...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Descanse em paz, Cindynha!
Sentirei saudades da neguinha...
Penso que foi ela quem nos escolheu e não o contrário... Era a cadelinha mais sapeca e alegre...
Lembro de várias historinhas muito engraçadas, boas recordações que serão eternas em nossas memórias. Foram dezessseis anos de nossas vidas, mais da metade delas com essa companheirinha ao nosso lado. Ela lutou até o último momento e coube a nós três a decisão de aliviarmos o sofrimento da nossa Cindy.
Foram semanas terríveis. Não sabíamos mais o que fazer... Foram 3 hospitais diferentes, várias clínicas, incontáveis médicos, exames e muitos muitos medicamentos...
Tivemos esperanças de que ela melhorasse se fosse realmente um AVC... teríamos que esperar para que as injeções de enzima fizessem efeito. Mas o quadro só piorava e ela já não controlava os movimentos, não conseguia comer sozinha, nem fazer as necessidades, nem andar ou ficar sentada. Hoje ela mal conseguia beber água, vomitou muito e a paralisia intercalada com os movimentos involuntários foi ficando cada vez pior. A cabecinha dela só conseguia ficar virada para a direita e ela só ficava no colo e posicionada para o lado direito. Percebemos que ela já não conseguia dormir. Demos o diurético na veia, ela chorava muito e não conseguiu urinar.
Era hora de tomar uma decisão. A metástase no pulmão deve ter ido para o cérebro e deveria ser a causa de todo esse problema neurológico. Não poderíamos fazer uma tomografia já que ela, pela idade avançada não suportaria a anestesia.
Novamente corremos para o hospital lá em Santo André (do Dr. Hato, ótimo, por sinal). Queríamos que fosse o menos doloroso, o menos traumático possível e escolhemos esse hospital por sentirmos muita confiança nos profissionais e estrutura de lá. Para se ter uma idéia, se seu animalzinho precisar de internação, vc pode acompanhá-lo em um quarto privativo para vcs, como um hospital de verdade.
Chegamos lá com a decisão de aliviarmos o sofrimento dela. Nesse momento, minhas irmãs já estavam aos prantos. Eu tentava me segurar e ser um porto firme para elas. Fui até o balcão assinar os papéis de autorização. Ao ler, segurar a caneta e começar a preencher não consegui segurar a dor, as lágrimas turvaram minha vista e um medo horrível me inundou.
Ficamos a semana toda pensando nisso, mas nunca sentíamos que era a hora. E percebemos que nunca sentiríamos isso... Não podíamos esperar a Cindy nos dizer que precisava partir...
Entrei na sala. Ela deitadinha, na mesinha ao lado as seringas e minhas irmãs ao lado dela.
Queríamos estar ao lado dela nesse momento para que ela se sentisse segura. Minha irmã foi conversando com ela enquanto a veterinária aplicava o sedativo. Já estava apagadinha e era a hora da eutanásia. Era uma injeção cor de rosa. A vet aplicou vagarosamente e nos explicou q paralizava o coraçãozinho dela e q ela não iria sofrer nada pois estava totalmente sedada.
Acompanhamos o líquido entrando no corpinho dela e o último respiro. O coraçãozinho parou. E ela se foi.
Foi uma dor muito grande.
Saímos de lá sem rumo. Voltei dirigindo porque minha irmã mal conseguia andar...
Cheguei em casa e me deparei com o vestidinho dela, a malinha dela de remédios... as caminhas, os brinquedinhos... Por um momento o gato passou do meu lado e eu tive a impressão de que fosse ela... Vai se difícil me acostumar, porque ainda parece q ela vai entrar no quarto e deitar ao pé da minha cama... ou que vai arranhar a porta para entrar...
Uma vez, quando ainda filhote, ela fez xixi na casa da minha avó e ao ver aquilo no meio da sala minha irmã deu uma bronca nela. Ela saiu correndo para o quintal, buscou um pano de chão e trouxe para limpar a sujeira!
Outra vez, enquanto eu levava o lixo para fora do apartamento, ela saiu e não a vi. Fechei a porta e ela ficou para fora. Como a porta das escadas estava aberta, ela desceu até o terceiro andar onde morava nossos amigos que sempre visitávamos com ela e que ela adorava. Arranhou a porta até abrirem e levamos um susto quando nos ligaram dizendo q ela estava lá fzendo uma visitinha...rs
É isso. Uma parte da minha vida se foi. Um ciclo se fechando. É o implacável tempo nos lembrando da perenidade e fragilidade da vida...
Fico pensando se existe vida após a morte para os animais... Nem sabemos se existe para nós humanos, certo?
Melhor parar de pensar e agradecer pelos dezesseis felizes anos das nossas vidas com a alegria da companhia dela ao nosso lado.
Descanse em paz, Cindynha!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Love next door
quarta-feira, 14 de abril de 2010
"Em 6 anos eu vou ter um filho, com ou sem um pai!"

Não acredito em casamento. Ainda acredito em família. E amizade, poucas.
Já provei para mim mesma o quanto consigo ficar só.
Um café solo, chegar e sair sozinha nas festas, no backpacking, nas estradas, na vida... Quase sempre. Faço amizades facilmente.
A vida é mais doce se cercada de pessoas.
Eu me basto. E até gosto da solidão. Chegar em casa cansada e deitar no silêncio... Desligar do mundo.
Medo. Medo de me tornar cada vez mais egoísta.
O outro demanda sacrifícios que uma pessoa que se basta não quer ter o trabalho de lidar.
Quero saber compartilhar e cultivar meu altruísmo, minha compaixão, minha compreensão...
Ando muito sem paciência, comigo e com os outros.
É essa minha relação com a vida, cercada de mim mesma e apenas preocupações comigo mesma.
Algo me incomoda. Esse vazio.
Essa inveja da futilidade e da ignorância alheia.
Talvez eu precise de um filho para amar e me doar. E adoçar mais minha vida.
Alguém para me dar preocupações bobas e pueris. Assim paro de me auto-analisar e analisar os outros. E me irritar.
Devo estar ficando louca. Devem ser os hormônios. Quem me conhece sabe... Sou contra a multiplicação desordenada de seres humanos.
Já há muitas pessoas no mundo. Muitas catrástofes. Muita desordem e decadência.
Mas por que não?
Aprender a abrir mão de coisas importantes para vc mesmo em prol de um outro que depende de vc...
Então digo:
"Em 6 anos eu vou ter
um filho,
com ou sem um pai!
domingo, 4 de abril de 2010
Traições

Já não tenho desculpas para me sentir vítima, já sou adulta e racionalmente deveria entender e aceitar a situação.
Mas a única coisa que consigo sentir nesse momento só pode ser descrito como RAIVA.
Raiva de todos os homens que me decepcionaram durante toda minha vida. Uns mentiram, outros esconderam e dissimularam, muitos não me apoiaram quando precisei, outros deliberadamente me iludiram pelo prazer do esporte.
Me sinto traída na alma.
Bom, paro por aqui meu showzinho de melodrama barato. E entra agora a verdade nua e crua.
Fico pensando naquela psicóloga cretina que afirmou que a infidelidade é algo importante para os homens se definirem na sua masculinidade e individualidade.
Bullshit!!
Eu mesma algumas vezes afirmo e reafirmo a diferença dos sexos, mas nem por isso justifico a incongruência masculina pela falta de respeito e egoismo exacerbados. E em geral os homens são assim porque os permitimos serem assim. São as mães imbecis incentivando e mimando esses infelizes, são as namoradinhas estúpidas e abobadas acreditando em todas as mentiras deslavadas, esposas aceitando todo tipo de humilhação em favor da manutenção da sua baixa auto-estima depenada por anos de sofrimento.
A mulher é a culpada de tudo isso, porque tem medo da solidão, porque não sabe viver sem a função de mãe, de mantenedora, de amiga, de psicóloga, de consolo, de colo, de apaziguadora e o caralho... Ela quer tanto ser aceita que vira uma palhaça problemática.
Ela pensa que pode ser a solução dos problemas masculinos, quando na verdade o caminho dela deveria ser o inverso: resolver os seus problemas primeiro, que aliás são muitos hoje em dia...
Ela pensa que pode mudar o indivíduo, pensa que pode ser melhor que a namorada ou esposa, pensa que pode completá-lo com seu amor... Chega a ser ridículo...
E me pergunto: como posso eu em sã consciência almejar constituir uma família, se não posso compartilhar da hipocrisia generalizada de um casamento baseado em falsas premissas. Se carrego toda essa mágoa pelas traições passadas e que ainda continuam a acontecer e provar para mim dia a dia que minha mágoa tem razão de existir... Se quando menos se espera, vem esse bicho irracional e te apunhala pelas costas...
quinta-feira, 18 de março de 2010
Quase 30.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Carta de alforria

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
enjoy the ride

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Crônica do Amor - por Martha Medeiros
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
percalços...
Da Globo ao Pornô...
E pensar que assim como Leila Lopez tantas e tantas mulheres caem nessa armadilha chamada vaidade... Ilusório pensar que se pode manter a beleza e frescor de quando se tem vinte e poucos anos. Ilusório também pensar que dinheiro, beleza, fama e status preenchem o vazio que nasce conosco e que acorrenta a humanidade desde sei lá quando... Dos grandes pensadores aos filósofos de boteco, não há quem consiga achar a fórmula mágica que nos livre da necessidade de seremos amados.
E é isso. Apesar dos vulneráveis elos que hoje conectam nossas relações pessoais, ainda caminhamos juntos na direção de um mesmo objetivo, mesmo que camuflado, mesmo que negado, mesmo que sofrido. Você poder temer e evitar com todas as suas forças, mas dentro de você (a não ser que se esteja morto) existe algo gritando e implorando para se apaixonar. E não me refiro apenas às paixões mundanas ou nem tanto... não pense apenas no lugar-comum...
Foi a necessidade de ser amada que tornou a tal atriz escrava da academia, das dietas, das plásticas e também dos holofotes. Também o medo do implacável tempo, de ver seu corpo envelhecer vazio, pois já não deveria existir mais nenhuma identidade dentro daquele invólucro escravizado que lutava para não mudar. E talvez já não sobrasse mais nada para preencher a vida da pobre mulher a não ser as frustrações de uma beleza que definha, as promessas de um futuro que não mais brilharia e o fardo de ter que manter uma certa imagem fantasiosa de que tudo sempre está bem no país dos belos e famosos...
Não quero entrar aqui no debate sobre suicídio ou sobre a indústria pornográfica (ou os dois juntos. veja http://blogs.r7.com/andre-forastieri/2009/12/05/leila-lopes-e-os-poucos-astros-porno-que-se-suicidaram/?cp=2) ou até mesmo das estrelas decadentes do meio artístico (ou nem tão artístico assim).
O fato é que tudo isso em conjunto forma o buraco em que estamos prestes a nos meter. Caminhamos para cada vez esvaziarmos ainda mais nossas vidas sem sentido. Afastamos freneticamente qualquer atitude no sentido de aceitar as mazelas da vida, porque nos tornamos cada vez mais hedonistas e egoístas. E nos esquecemos que o caminho do amadurecimento pode incluir umas belas pedras no caminho, muita poeira para engolir e talvez mudanças drásticas no plano de viagem.
Mas que seja divertido e prazeroso, apesar dos percalços... e assim espero... amém!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Je m'appelle Réalitè...
E nesse malabarismo é que me pergunto como posso definir esta fluidez e inconstância de minha própria identidade.
sábado, 26 de setembro de 2009
Homesick

The Oxford English Dictionary describes homesickness as a feeling one has when missing home. Feelings of longing are often accompanied by anxiety and depression.
But wait a minute... WHERE`S HOME??
domingo, 13 de setembro de 2009
Killing the girl
Minha revolta é inútil, pois se assemelha à minha decisão de tornar-me vegetariana. Durou algumas semanas e os outros 10 anos foram de abstinência à carne vermelha, o que não é realmente uma total defesa do conceito. Aliás, eu me escondia na besta idéia de que peixes e aves não sofriam durante a morte. Portanto, poderiam ser comidos. Me lembro de tirar pacientemente as fatias de presunto de dentro das lasanhas... e desperdiçar o defunto já assassinado (Bom, ainda sou totalmente contra o fois grais, a carne de baleia e a vitela... mesmo sabendo que é boooom...).
Me vem à memória o dia em que estive em Madri e vi os manifestantes em frente ao Mac Donalds (o que me fez perder a vontade de comer um Big Mac). Porém como adorei os helados com Kit Kat! Também me faz pensar em como sou ingênua. Se há comércio, há mercado e se há mercado é porque nós consumimos e não podemos tirar o corpo fora: a culpa é nossa! Sim, o mundo nunca vai parar de matar animais, primeiro porque adoramos sua carne, segundo porque a indústria de carnes não vai sumir do dia para a noite.
É o que acontece com a indústria dos cosméticos, das cirurgias plásticas, da moda, do caralho a quatro... Nunca vai desaparecer e não adianta lutar contra, sofrer, resmungar, dar chiliques...Eu faço parte sim disso tudo: eu como casquinhas com kit kat e fico feliz, eu compro renew com medo das rugas, eu vou todos os dias malhar com medo de ficar gorda, provavelmente meu perfume francês foi testado em animais e adoro carne de coelho, de rã, de faisão, um jamón serrano bom, um assado de cordeiro apetitoso e assim vai...
Eu sou a dualidade em pessoa. Estudei o belo, como fazê-lo, como compreendê-lo, como vivenciá-lo e multiplicá-lo. É para isso que serve o Design. E eu sou ou fui uma designer. Além disso adoro moda, adoro cores, combinações, desenhos, arte, adoro paisagismo, adoro harmonia ou mesmo o desarmonioso despretensiosamente bem colocado. Eu combino sapatos com o esmalte das unhas. Eu pinto meus cabelos sempre e gosto de mudar as cores e o corte. Eu adoro o belo. E o odeio ao mesmo tempo.
Odeio o belo porque me fere como ser humano. Odeio a futilidade que reside em mim. Odeio pensar que já tive ideais e os matei pouco a pouco. Como poderia uma enfermeira da Cruz Vermelha usar sapatos de salto agulha pink para combinar com seu echarpe pink, junto ao seu pretinho nada básico de corte assimétrico? Um dia também planejei ser educadora e viver no nordeste do país com pouco a receber e muito a dar.
E hoje planejo conquistar um cargo público para me sentir segura e comprar uma casa. Talvez depois planejar filhos, assim como se planeja uma viagem de férias e mais à frente planejar a educação deles, contando para que não nasçam tão perdidos ou idealistas como eu ainda sou.
E tudo isso só me leva a uma conclusão: a de que matei alguém dentro de mim. E esse outro alguém que tomou conta do meu corpo se preocupa com questões pouco importantes para ele mesmo. Esse alguém é invejoso da leveza de ser ignorante e ingênuo, é cruel, impiedoso, sarcástico, impaciente e arrogante!
Sim, extremamente arrogante, diante da própria pequenez olha o outro de cima, com olhar espremido e esgueirado pensando que sabe a verdade do mundo e é mais consciente. Quando na verdade não sabe nem a verdade sobre si mesmo.
E vaga solitário e esquecido nesse mar de incertezas, esperando por um sinal que nunca chega...
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Mulheres possíveis
A mulher da página 194 da revista Glamour, edição de setembro, matéria sobre autoimagem.
O que isso quer dizer? Por que foi tão impactante e teve tanta repercussão?Here's the deal: The picture wasn't of a celebrity. It wasn't of a supermodel.
It was of a woman sitting in her underwear with a smile on her face and a belly that looks...wait for it...normal.

