sábado, 1 de janeiro de 2011

Esperando a tempestade passar...



Todos os anos, promessas para a chegada de uma nova vida...
Sempre achei q a magia de se viver fosse essa renovação de todas as coisas da vida... os ciclos... as histórias... as estações do ano... o sol que vem depois da chuva... as despedidas dos anos que se passam...
E sempre acreditei que toda vez em que eu sofresse muito, uma coisa muito boa se sucederia...
Pois bem, meu coração está todo picotadinho, feito papel depois da primeira tesoura para a criança!
E eu abri todas as janelas do meu coração, abri portas e abri cortinas, tirei tapetes, estiquei as redes, mas tropecei na ansiedade, tropecei porque queria tanto acreditar que as flores de cerejeira poderiam florescer antes da primavera... Fui gananciosa... imediatista...
Preciso aprender a PARAR... andar ao invés de correr... Sentir a brevidade da vida sem o desespero de quem vai morrer amanhã... Respirar calmamente... Deixar acontecer...
E acreditar!
Acreditar que o que é meu ninguém tira. Que minha história ninguém rouba. Que todos os clichês do mundo são legais. Que muitas e muitas pessoas estão carregando ideologias lindas parecidas com as minhas. Que a pessoa certa existe, independente da hora certa, do lugar certo, de qualquer outro parâmetro... que uma força muito maior, apesar das adversidades vai nos unir... E que não importa o tempo, o espaço...
E eu posso ser brega, ingênua, imatura e babaca... E é a melhor sensação do mundo acreditar e sentir genuinamente essa felicidadezinha bobinha que nos faz sorrir sem ter motivo, que nos faz levitar, sonhar, acreditar!
Eu espero a tempestade passar...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

when a tornado meets a volcano...

eu sou fogo, vc água...
sou fúria, vc paz...
o yin e o yang... 
o preto no branco
e talvez a luz na escuridão...
ou a sombra para te proteger do sol
e deixar sentir e libertar
essa energia de atração
de opostos e sobrepostos,
de completude e vazio,
de medos
e desejos
de coragem
e quietude.

e toda essa força,
de dor e de vidas...
porque te esperei uma existência inteira
e agora te vejo
longe e triste
através de janelas seladas de vidro

e nem toda a força desse furacão descontrolado
é capaz de derrubar essa muralha...
e o ele perde a força,
perde o sentido,
perde a vontade de existir como força da natureza
vira um sopro do que um dia foi.

não há mais busca...
por isso ele morre.

por que tentar por erros o que já se sabe descoberto?
então melhor fechar o coração,
sentar,
respirar,
fechar os olhos
e acalmar os gritos dessa alma selvagem.

domingo, 31 de outubro de 2010

Borboletas no estômago...


Pensei não ter pretensões romantizadas sobre paixões avassaladoras, hollywoodianas, inventadas pelos contos de fadas da Disney e incrustadas na mais profunda parte dos nossos pensamentos.

Pensei ser mais forte, mais racional, mais inteligente do que qualquer dessas frivolidades... Pensei e pensei... e tropecei.

E me vi, aqui, parada, chorando, não compulsivamente, mas aquele choro que não quer acontecer e se esvai assim sem você deixar, sem poder conter. E são lágrimas grossas, que deslizam pelo rosto todo e às vezes molham sua roupa, sua cama, seu chão gelado...

Porque tenho medo.
Medo de que todas as verdades horríveis sejam verdades de verdade. Porque as minhas verdades, podem não ser verdades a menos que alguém venha me provar o contrário. E eu rezo dia e noite para que esse alguém me prove o quanto estou errada e me tire dessa solidão dilacerante.

E tenho sido corajosa e forte. E sou forte. Yes, I am! E estou cansada. Cansada de ter que ser sempre forte, de ser tão independente, de ser tão corajosa... Queria poder ser só mais uma menina em busca de um amor, de romance, de borboletas no estômago...

Aprendi a ser sozinha e me bastar, mas há dias em que penso que quero abraçar o mundo e ele é tão grande... E há dias em que o sinto pequeno e tão imperfeito e tão indiferente a mim...
E sou pequena e muito grande para caber dentro de mim.
E transbordo em todas as direções... E vejo que o mundo é tão maior que minhas pequenas complicações e vejo que ele me quer livre e eu querendo me aprisionar...

só um pouquinho, porque cansei de voar sozinha...

domingo, 10 de outubro de 2010

Eat Pray Love



Não sei sobre o livro, que preciso ler para poder fazer julgamentos, mas definitivamente esperava muito mais do filme.
Comer, rezar, amar é mais uma dessas historiazinhas de mulherzinha em conflito por conta dos relacionamentos que não a preenche. Quem sabe a verdadeira Elizabeth Gilbert tenha passado por processos e buscas muito mais profundas e tenha sido muito mais autônoma e independente do que a chatice da personagem de Julia Roberts poderia exprimir.

Primeiramente tenho que ponderar minha falta de simpatia pela atriz, talvez isso influencie de maneira absurda minha análise. A personagem em si se mostra tão carente de vontade própria, antes e durante a viagem, que me frustra completamente como espectadora que quer encontrar sua heroína para fugir das mazelas de uma vida meio em p&b.

Toda vez que ela toma uma decisão, por mais que pareça sair de seu íntimo, as ações acontecem carregadas das essencias dos outros e não dela própria. Dos três lugares que ela visita: Itália, Índia e Indonésia, 2 delas me parece que foram decisões tomadas por outros. Na Índia ela vai atrás da guru de seu ex-namorado (típico daquelas mulheres que se transformam à imagem e semelhança dos seus homens). Em Bali ela retorna como que cumprindo a profecia de um xamã que já visitara anos antes. Até mesmo para decidir se fica com seu novo affair latino (Javier Bardem brasileiro, diga-se de passagem), ela precisa se certificar com os conselhos da sua curandeira e do seu xamã...

Acho que o filme não conseguiu captar a verdadeira busca da personagem. E no fundo do coração, apesar de ter tentado me despir de qualquer crítica ruim à Julia Roberts, o fato é que continuo achando que ela interpretou ela mesma dentro do contexto da Liss.

Os temas são profundos, mas a abordagem é tão rasa quanto a visão hollywoodiana pode alcançar.

Talvez eu me apaixone pelo livro, mas de fato não fui capturada pelo filme. Um tanto frustrante, pois corri ao cinema com meu coração aberto e uma pitadinha de inveja da mulher que largou tudo para trás e foi em busca do seu Eu despido de todas as máscaras e cicatrizes.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

I feel empty


Every day I think about what to write in my blog and everyday I feel I have nothing to say. This feeling is killing me inside. I feel empty!
Like an empty shell in this ocean that now seems so huge... and it's so huge. In fact, the hugeness of this beautiful and mysterious sea that is life itself will one day be where I'll sail my adventure.
But for now I just feel empty and lost.
What still keeps me sane is something similar to the feeling of hope. But it's not cause I've been pessimistic amost my entirely life. So, what it is?
I suffer from insomnia. It's horrible. It makes you think about your life and what you are doing with it. Sometimes when I finally sleep I find myself fighting to be asleep forever.
I can't feel happy while I'm working. In fact, I think that I'm a worst person when I'm working... a killing machine, a tractor, a weird fast and furious machinery.
Therefore I feel a certain kind of dark pleasure. I like puzzles and stuffs like that. I think I like to prove myself that I can do better or purely that I can and full stop.
Every day I think a different reason to escape. And every day I think about a new solution.
But they just survive a few hours, sometimes a few days.
And days goes by and I'm still here... in the same spot, the same hole in my stomach, the same frustration, the same fear of never knowing anything about my life...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Descanse em paz, Cindynha!



Sentirei saudades da neguinha...

Penso que foi ela quem nos escolheu e não o contrário... Era a cadelinha mais sapeca e alegre...
Lembro de várias historinhas muito engraçadas, boas recordações que serão eternas em nossas memórias. Foram dezessseis anos de nossas vidas, mais da metade delas com essa companheirinha ao nosso lado. Ela lutou até o último momento e coube a nós três a decisão de aliviarmos o sofrimento da nossa Cindy.
Foram semanas terríveis. Não sabíamos mais o que fazer... Foram 3 hospitais diferentes, várias clínicas, incontáveis médicos, exames e muitos muitos medicamentos...
Tivemos esperanças de que ela melhorasse se fosse realmente um AVC... teríamos que esperar para que as injeções de enzima fizessem efeito. Mas o quadro só piorava e ela já não controlava os movimentos, não conseguia comer sozinha, nem fazer as necessidades, nem andar ou ficar sentada. Hoje ela mal conseguia beber água, vomitou muito e a paralisia intercalada com os movimentos involuntários foi ficando cada vez pior. A cabecinha dela só conseguia ficar virada para a direita e ela só ficava no colo e posicionada para o lado direito. Percebemos que ela já não conseguia dormir. Demos o diurético na veia, ela chorava muito e não conseguiu urinar.
Era hora de tomar uma decisão. A metástase no pulmão deve ter ido para o cérebro e deveria ser a causa de todo esse problema neurológico. Não poderíamos fazer uma tomografia já que ela, pela idade avançada não suportaria a anestesia.
Novamente corremos para o hospital lá em Santo André (do Dr. Hato, ótimo, por sinal). Queríamos que fosse o menos doloroso, o menos traumático possível e escolhemos esse hospital por sentirmos muita confiança nos profissionais e estrutura de lá. Para se ter uma idéia, se seu animalzinho precisar de internação, vc pode acompanhá-lo em um quarto privativo para vcs, como um hospital de verdade.
Chegamos lá com a decisão de aliviarmos o sofrimento dela. Nesse momento, minhas irmãs já estavam aos prantos. Eu tentava me segurar e ser um porto firme para elas. Fui até o balcão assinar os papéis de autorização. Ao ler, segurar a caneta e começar a preencher não consegui segurar a dor, as lágrimas turvaram minha vista e um medo horrível me inundou.
Ficamos a semana toda pensando nisso, mas nunca sentíamos que era a hora. E percebemos que nunca sentiríamos isso... Não podíamos esperar a Cindy nos dizer que precisava partir...
Entrei na sala. Ela deitadinha, na mesinha ao lado as seringas e minhas irmãs ao lado dela.
Queríamos estar ao lado dela nesse momento para que ela se sentisse segura. Minha irmã foi conversando com ela enquanto a veterinária aplicava o sedativo. Já estava apagadinha e era a hora da eutanásia. Era uma injeção cor de rosa. A vet aplicou vagarosamente e nos explicou q paralizava o coraçãozinho dela e q ela não iria sofrer nada pois estava totalmente sedada.
Acompanhamos o líquido entrando no corpinho dela e o último respiro. O coraçãozinho parou. E ela se foi.
Foi uma dor muito grande.
Saímos de lá sem rumo. Voltei dirigindo porque minha irmã mal conseguia andar...
Cheguei em casa e me deparei com o vestidinho dela, a malinha dela de remédios... as caminhas, os brinquedinhos... Por um momento o gato passou do meu lado e eu tive a impressão de que fosse ela... Vai se difícil me acostumar, porque ainda parece q ela vai entrar no quarto e deitar ao pé da minha cama... ou que vai arranhar a porta para entrar...
Uma vez, quando ainda filhote, ela fez xixi na casa da minha avó e ao ver aquilo no meio da sala minha irmã deu uma bronca nela. Ela saiu correndo para o quintal, buscou um pano de chão e trouxe para limpar a sujeira!
Outra vez, enquanto eu levava o lixo para fora do apartamento, ela saiu e não a vi. Fechei a porta e ela ficou para fora. Como a porta das escadas estava aberta, ela desceu até o terceiro andar onde morava nossos amigos que sempre visitávamos com ela e que ela adorava. Arranhou a porta até abrirem e levamos um susto quando nos ligaram dizendo q ela estava lá fzendo uma visitinha...rs
É isso. Uma parte da minha vida se foi. Um ciclo se fechando. É o implacável tempo nos lembrando da perenidade e fragilidade da vida...
Fico pensando se existe vida após a morte para os animais... Nem sabemos se existe para nós humanos, certo?
Melhor parar de pensar e agradecer pelos dezesseis felizes anos das nossas vidas com a alegria da companhia dela ao nosso lado.

Descanse em paz, Cindynha!




quarta-feira, 26 de maio de 2010

Love next door


Toda manhã acordava ansiosa pelos breves segundos de tensão gostosa ao entrar no elevador e trocar meia dúzia de palavras com o que uma adolescente designaria como "o homem mais bonito e charmoso de todos os tempos".
Sim, meu vizinho era um sonho. Bom, ao menos aos olhos de uma garota ingênua e apaixonada. Esse ritual se repetia todos os dias. Ambos saíamos super cedo de casa e assim que eu apertava o botão do elevador rezava para que ele já estivesse lá no andar de baixo esperando por mim. Nunca tive que subir novamente para esperá-lo. Ele sempre estava lá, me esperando no andar de baixo. E meu coração disparava antes mesmo da porta se abrir.
Me lembro de ter comentado que queria me tornar psicóloga. Também me lembro dele ter me oferecido carona uma vez ou outra, mas aceitar seria além dos meus limites para a época, claro.
Com o tempo passamos a nos comunicar de outras formas. Seu quarto era exatamente embaixo do meu e assim fui descobrindo seu gosto musical e percebemos nosso gosto mútuo por música bem alta. Descobri que ele também gostava de Queen e descobri como podíamos nos comunicar através da música. Eu colocava a caixa de som bem pertinho da janela e vice-versa.
Me lembro da sensação gostosa de saber que aquela música estava sendo tocada para mim. Saber que ele escutava o que eu tinha para dizer através da música que eu fazia ecoar através da vizinhança toda com minha super potente caixa de som. E nunca passou disso. E um dia ele se mudou e nem ao menos soube seu nome. Ou talvez ele tenha me dito e eu o esqueci. Mas o importante permaneceu. A lembrança daquela taquicardia toda vez que a porta do elevador se abria. A lembrança de fins de semana na janela escutando a música que ecoava da janela de baixo. A lembrança de aprender a se comunicar com a linguagem do amor.
É assim que me recordo desta história. Talvez não tenha sido exatamente dessa forma. Talvez muitos dias possa ter sofrido sem encontrá-no no elevador na hora determinada. Talvez nem todas as músicas tenham sido tocadas. O fato é que, aconteceu no meu coração e minha alma gravou assim, desse jeitinho que te contei.
Love, love, love. Nesta arte, seremos eternos aprendizes, porque se um dia você se sentir muito velho para amar, estará perdido para sempre na amargura de uma vida tediosa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Em 6 anos eu vou ter um filho, com ou sem um pai!"


Não acredito em casamento. Ainda acredito em família. E amizade, poucas.
Já provei para mim mesma o quanto consigo ficar só.
Um café solo, chegar e sair sozinha nas festas, no backpacking, nas estradas, na vida... Quase sempre. Faço amizades facilmente.
A vida é mais doce se cercada de pessoas.
Eu me basto. E até gosto da solidão. Chegar em casa cansada e deitar no silêncio... Desligar do mundo.
Medo. Medo de me tornar cada vez mais egoísta.
O outro demanda sacrifícios que uma pessoa que se basta não quer ter o trabalho de lidar.
Quero saber compartilhar e cultivar meu altruísmo, minha compaixão, minha compreensão...
Ando muito sem paciência, comigo e com os outros.
É essa minha relação com a vida, cercada de mim mesma e apenas preocupações comigo mesma.
Algo me incomoda. Esse vazio.
Essa inveja da futilidade e da ignorância alheia.
Talvez eu precise de um filho para amar e me doar. E adoçar mais minha vida.
Alguém para me dar preocupações bobas e pueris. Assim paro de me auto-analisar e analisar os outros. E me irritar.
Devo estar ficando louca. Devem ser os hormônios. Quem me conhece sabe... Sou contra a multiplicação desordenada de seres humanos.
Já há muitas pessoas no mundo. Muitas catrástofes. Muita desordem e decadência.
Mas por que não?
Aprender a abrir mão de coisas importantes para vc mesmo em prol de um outro que depende de vc...
Então digo:

"Em 6 anos eu vou ter
um filho,
com ou sem
um pai!


domingo, 4 de abril de 2010

Traições


Hoje descobri que meu pai tem uma filha com alguém que desconheço.
Já não tenho desculpas para me sentir vítima, já sou adulta e racionalmente deveria entender e aceitar a situação.
Mas a única coisa que consigo sentir nesse momento só pode ser descrito como RAIVA.


Raiva de todos os homens que me decepcionaram durante toda minha vida. Uns mentiram, outros esconderam e dissimularam, muitos não me apoiaram quando precisei, outros deliberadamente me iludiram pelo prazer do esporte.
Me sinto traída na alma.

Bom, paro por aqui meu showzinho de melodrama barato. E entra agora a verdade nua e crua.

Fico pensando naquela psicóloga cretina que afirmou que a infidelidade é algo importante para os homens se definirem na sua masculinidade e individualidade.
Bullshit!!
Eu mesma algumas vezes afirmo e reafirmo a diferença dos sexos, mas nem por isso justifico a incongruência masculina pela falta de respeito e egoismo exacerbados. E em geral os homens são assim porque os permitimos serem assim. São as mães imbecis incentivando e mimando esses infelizes, são as namoradinhas estúpidas e abobadas acreditando em todas as mentiras deslavadas, esposas aceitando todo tipo de humilhação em favor da manutenção da sua baixa auto-estima depenada por anos de sofrimento.

A mulher é a culpada de tudo isso, porque tem medo da solidão, porque não sabe viver sem a função de mãe, de mantenedora, de amiga, de psicóloga, de consolo, de colo, de apaziguadora e o caralho... Ela quer tanto ser aceita que vira uma palhaça problemática.
Ela pensa que pode ser a solução dos problemas masculinos, quando na verdade o caminho dela deveria ser o inverso: resolver os seus problemas primeiro, que aliás são muitos hoje em dia...

Ela pensa que pode mudar o indivíduo, pensa que pode ser melhor que a namorada ou esposa, pensa que pode completá-lo com seu amor... Chega a ser ridículo...

E me pergunto: como posso eu em sã consciência almejar constituir uma família, se não posso compartilhar da hipocrisia generalizada de um casamento baseado em falsas premissas. Se carrego toda essa mágoa pelas traições passadas e que ainda continuam a acontecer e provar para mim dia a dia que minha mágoa tem razão de existir... Se quando menos se espera, vem esse bicho irracional e te apunhala pelas costas...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quase 30.


Este mês completo vinte e nove anos de idade e antes mesmo de qualquer insinuação piegas sobre a difícil vida de uma mulher de quase trinta, quero apenas manifestar meu eterno agradecimento aos meus amores frustrados. Amores são amores e são sempre sublimes e perfeitos na sua imperfeição.

Posso afirmar categoricamente que perdi minha capacidade de amar em algum lugar e tempo passado e esquecido. Nem sei por onde começar a procurar...

Dizem que está no nosso DNA, que o ser humano quer amar e ser amado, que há um certo magnetismo inerente que nos aprisiona nesse sonho egoísta chamado amor.
Eu digo que não... mas posso estar errada, afinal nem tenho trinta... ainda.

Não quero entrar na discussão sobre amor vs. paixão vs. sexo vs. tesão... Aliás, dizem as más línguas, nós mulheres, misturamos tudo mesmo!

E preciso admitir que sempre tentei separar muito bem os sentimentos. Mesmo com a pulsão desenfreada e feminina gritando dentro de mim para me deixar ser mistério, poesia, metafísica.

Passei grande parte da minha vida tentando entrar em compasso com o universo, quando na verdade caminhava na direção contrária com meus discursos neo-feministas extremistas e minha soberba diante do amor.

Então foi isso. Escondi o amor numa caixinha escondida debaixo da cama, enquanto brincava de ser homenzinho. Escondi tanto que esqueci. E enxergo tudo com a brutalidade da realidade crua e sem graça. Ilusão faz-se necessária. Esperança, também.

E me vejo abandonada por mim mesma, à deriva de meus sentimentos. Lutando contra o inevitável.

Mas não sou mais uma mulherzinha de trinta desesperada por um casamento, uma família, filhos...

Eu sou mais que isso, mais complexa, mais raiva, mais vontade, mais necessidades, mais dor, mais sabor, mais cor. Me recuso a ser um corpo vazio liderado por um contingente de hormônios desenfreados. Me recuso a ser posse, ser objeto, ser sofrer... Recuso a posição de mercadoria na prateleira a espera de um terno comprador ou compulsivo usuário.

Amar tem várias direções. A primeira que nós mulheres precisamos aprender é a do amor-próprio. A outra direção... bem, vou deixar para o inusitado amanhã...

E como diria Jabor: "O amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Carta de alforria




Acorda, garota!


Pare um momento... reflita... Deixe para trás mágoas, rancores, tristezas e dissabores. Não se apegue aos detalhes. Homens não tem a capacidade de produzir detalhes como pistas de significados. Na verdade, suas atitudes são realmente vazias e só dizem mesmo o que querem dizer na superfície, num plano direto e sem interpretações mil.

Pare de ficar olhando pro telefone, pra luzinha verde do messenger, checando sua caixa de e-mail a cada cinco minutos...

Angústia e ansiedade passam e elas só existem porque você as colocou ali. Foi você quem encheu de hipóteses todas as atitudes imbecis daquele ser. Foi você quem pensou que cada ação só tinha o único intuito de te magoar. Foi você quem superestimou a pequena inteligência masculina... Ela não existe, minha cara, e você está sofrendo à toa...

Não tente jogar xadrez sozinha, porque vai esperar eternamente a próxima jogada... Ela nunca virá e neste tempo de eterna espera, você vai enlouquecer demais tentando descobrir como vencer um jogo que nem chegou a começar.

Cuidado! Mulheres tendem a entrar na piração da outra, pois também temem que suas próprias histórias também sejam pirações. E assim cresce o ciclo das grandes pirações, carentes da figuração masculina, que aliás enquanto você pira, está fazendo outra coisa mais divertida, ou nada, que também é mais divertido do que sofrer...

Tudo isso tem uma explicação e não é nada bonita e nem feita de sentimentos elevados. Mulheres são competitivas e não sabem aceitar uma derrota. Por isso, mesmo ao final da guerra, com os corpos despedaçados ao chão, sem munição, sem soldados, sem tanques... sem nada mais restando, ainda assim, ela continua tentando, fingindo ainda ter um exército em luta. Enquanto o outro já retirou suas tropas e já está em outro território travando outras batalhas.

Então minha filha, manda pro espaço esse sabotador interno, que quer a todo custo te mandar pra guerra... Porque é tudo culpa dele! É culpa dele você ter a autoestima tão desestruturada, implorando por migalhas de atenção, criando ilusões de amores imaginários.

Você não precisa provar para o mundo que alguém se interessa por você, pelo bem ou pelo mal. Não precisa conquistar aquele terreno estéril que não vai te dar nada em troca. Você é muito mais do que isso.

Deixe morrer esses sentimentos pequenos e confusos. São histórias que nascem mortas. Não tente ressuscitação... só vai te cansar e te frustrar...

É bem sério o que eu vou te dizer agora: a culpa não é dele, é toda sua e do seu sabotador interno! Então vá viver a sua vida e esqueça dessa sua criação louca. Isso não é amor, nem desejo, nem nada... é construção! Você está mentindo para si mesma para aplacar a dor de uma existência de coração vazio. Você está gritando por atenção, mas Deus tem problemas muito maiores para resolver.

Então não seja mais tão mimada e resolva seus problemas sozinha, sem por a culpa no primeiro idiota que te aparece na frente!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

enjoy the ride



... ,


um grande passo foi dado... vc redecobriu q a força de q vc precisava está dentro de vc mesmo. Na verdade os amigos podem nos apoiar ou refrescar nossa memória, mas está td dentro de nós mesmos!

Tbm acredito q a felicidade não está lá naquele lugar longínquo e inalcançável onde sempre a colocamos... como a cenoura pendurada na frente do burrinho...

Deve ser pq o ser humano precisa de desafios para sair da inércia, mas ao mesmo tempo que o joga para o desconhecido, tbm pode fazer com q ele coloque a responsabilidade de sua felicidade em cima do externo, do outro, de uma certa situação q se quer alcançar...

Vc pode desejar ser rico, mas se um dia ganhar na megasena vai desejar de repente ter um amor, e isso não se compra, então terá outra busca e assim sucessivamente...

Portanto, ela tá aqui dentro da gente, bem pertinho...E qd vc se esquecer de onde pode encontrá-la, releia seu blog, pq a escrita é terapêutica, mas tbm pode ser um apoio para nossa memória meio fraquinha...rs Pode ser assim, cura e rendenção!

Não tem jeito, as pedras no caminho surgirão e é isso que torna nossa caminhada mais e mais divertida e viva... realmente, a sacada não é o destino e sim esse caminho que trilhamos...

Então, amigo,


ENJOY THE RIDE!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Crônica do Amor - por Martha Medeiros

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

percalços...

Da Globo ao Pornô...

E pensar que assim como Leila Lopez tantas e tantas mulheres caem nessa armadilha chamada vaidade... Ilusório pensar que se pode manter a beleza e frescor de quando se tem vinte e poucos anos. Ilusório também pensar que dinheiro, beleza, fama e status preenchem o vazio que nasce conosco e que acorrenta a humanidade desde sei lá quando... Dos grandes pensadores aos filósofos de boteco, não há quem consiga achar a fórmula mágica que nos livre da necessidade de seremos amados.

E é isso. Apesar dos vulneráveis elos que hoje conectam nossas relações pessoais, ainda caminhamos juntos na direção de um mesmo objetivo, mesmo que camuflado, mesmo que negado, mesmo que sofrido. Você poder temer e evitar com todas as suas forças, mas dentro de você (a não ser que se esteja morto) existe algo gritando e implorando para se apaixonar. E não me refiro apenas às paixões mundanas ou nem tanto... não pense apenas no lugar-comum...

Foi a necessidade de ser amada que tornou a tal atriz escrava da academia, das dietas, das plásticas e também dos holofotes. Também o medo do implacável tempo, de ver seu corpo envelhecer vazio, pois já não deveria existir mais nenhuma identidade dentro daquele invólucro escravizado que lutava para não mudar. E talvez já não sobrasse mais nada para preencher a vida da pobre mulher a não ser as frustrações de uma beleza que definha, as promessas de um futuro que não mais brilharia e o fardo de ter que manter uma certa imagem fantasiosa de que tudo sempre está bem no país dos belos e famosos...

Não quero entrar aqui no debate sobre suicídio ou sobre a indústria pornográfica (ou os dois juntos. veja http://blogs.r7.com/andre-forastieri/2009/12/05/leila-lopes-e-os-poucos-astros-porno-que-se-suicidaram/?cp=2) ou até mesmo das estrelas decadentes do meio artístico (ou nem tão artístico assim).

O fato é que tudo isso em conjunto forma o buraco em que estamos prestes a nos meter. Caminhamos para cada vez esvaziarmos ainda mais nossas vidas sem sentido. Afastamos freneticamente qualquer atitude no sentido de aceitar as mazelas da vida, porque nos tornamos cada vez mais hedonistas e egoístas. E nos esquecemos que o caminho do amadurecimento pode incluir umas belas pedras no caminho, muita poeira para engolir e talvez mudanças drásticas no plano de viagem.

Mas que seja divertido e prazeroso, apesar dos percalços... e assim espero... amém!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Je m'appelle Réalitè...

... e um dia você acorda e se dá conta de que tudo o que você sonhou e desejou pode não passar de fantasia...
... se dá conta também de que é muito trabalhoso buscar o seu "eu" verdadeiro...
... de que viver e sobreviver são coisas distintas e que podem ser excludentes...
... e percebe que o tempo não pára para você descobrir o que veio fazer nesse mundo.
Se você tem vertigem de quedas e abismos, pode nunca viver com emoção. Ou se é um espírito selvagem pode esquecer-se de que a vida não é só feita de frio na barriga e arrepios na espinha.
Fico pensando quais as angústias das pessoas em um tempo em que as relações eram sólidas e duradouras, em que a palavra e o caráter de um homem valia ouro.
Hoje somos humanos fragilizados pelo materialismo consumista, que nos transforma em objeto descartável, sem maturidade de sua própria existência.
Concordo com Bauman quando diz que a modernidade é líquida. Ela é mutante, inconstante, transitória...
Sim, nossos relacionamentos também o são...
Somos feitos hoje de vínculos líquidos. Frágeis laços humanos que podem ser desfeitos a qualquer segundo, por qualquer razão.
O mundo corre e sentimos a opressão de tentar seguir esse ritmo maluco que nos é imposto. Se você parar para apreciar a paisagem talvez perca sua posição na corrida frenética da vida, talvez seja atropelado.
E nesse malabarismo é que me pergunto como posso definir esta fluidez e inconstância de minha própria identidade.
Tenho uma amiga que sempre me diz que eu sou "muita realidade" para uma pessoa aguentar... Tirando o lado da brincadeira, eu sei como às vezes sou cruel e pessimista. Mas é algo que não consigo modificar.
Uma vez aberta a Caixa de Pandora, there´s no turning back...

sábado, 26 de setembro de 2009

Homesick



The Oxford English Dictionary describes homesickness as a feeling one has when missing home. Feelings of longing are often accompanied by anxiety and depression.



But wait a minute... WHERE`S HOME??




Do you think we would be happier there?


I´m not sure about anything, but I´m sure there´s no more space for me here... I don´t fit here anymore!



And so, what´s wrong with all of us?


We´ve changed, but what we left behind is the same. After discovering the world, living inside the cave seems not enough now. I keep looking and trying to be the best that I can be. And here I feel like a bird with broken wings. Do you feel the same?


Over there,

where I´ve learnt to live the world,

I don´t need to pretend something I´m not.

I can be exactly who I am.


And here,

I just keep on going... Not even knowing who I am.

domingo, 13 de setembro de 2009

Killing the girl

Insônia.
Novamente. E desta vez sem café. Já amanheceu.
Fiquei perdida entre um documentário do Michael Moore (http://www.youtube.com/watch?v=2Zf2nCiBJLo), a história das trigêmeas surdo-cegas ("As Irmãs Hooker", Discovery Home & Health), a chamada com a jornalista Priscila Siqueira (veja http://www.adital.com.br/novo/noticia2.asp?lang=PT&cod=16125) que luta contra o tráfico de pessoas e minha recém chegada apostila preparatória para um concurso público.
E percebi várias coisas:

Minha revolta é inútil, pois se assemelha à minha decisão de tornar-me vegetariana. Durou algumas semanas e os outros 10 anos foram de abstinência à carne vermelha, o que não é realmente uma total defesa do conceito. Aliás, eu me escondia na besta idéia de que peixes e aves não sofriam durante a morte. Portanto, poderiam ser comidos. Me lembro de tirar pacientemente as fatias de presunto de dentro das lasanhas... e desperdiçar o defunto já assassinado (Bom, ainda sou totalmente contra o fois grais, a carne de baleia e a vitela... mesmo sabendo que é boooom...).

Me vem à memória o dia em que estive em Madri e vi os manifestantes em frente ao Mac Donalds (o que me fez perder a vontade de comer um Big Mac). Porém como adorei os helados com Kit Kat! Também me faz pensar em como sou ingênua. Se há comércio, há mercado e se há mercado é porque nós consumimos e não podemos tirar o corpo fora: a culpa é nossa! Sim, o mundo nunca vai parar de matar animais, primeiro porque adoramos sua carne, segundo porque a indústria de carnes não vai sumir do dia para a noite.

É o que acontece com a indústria dos cosméticos, das cirurgias plásticas, da moda, do caralho a quatro... Nunca vai desaparecer e não adianta lutar contra, sofrer, resmungar, dar chiliques...Eu faço parte sim disso tudo: eu como casquinhas com kit kat e fico feliz, eu compro renew com medo das rugas, eu vou todos os dias malhar com medo de ficar gorda, provavelmente meu perfume francês foi testado em animais e adoro carne de coelho, de rã, de faisão, um jamón serrano bom, um assado de cordeiro apetitoso e assim vai...

Eu sou a dualidade em pessoa. Estudei o belo, como fazê-lo, como compreendê-lo, como vivenciá-lo e multiplicá-lo. É para isso que serve o Design. E eu sou ou fui uma designer. Além disso adoro moda, adoro cores, combinações, desenhos, arte, adoro paisagismo, adoro harmonia ou mesmo o desarmonioso despretensiosamente bem colocado. Eu combino sapatos com o esmalte das unhas. Eu pinto meus cabelos sempre e gosto de mudar as cores e o corte. Eu adoro o belo. E o odeio ao mesmo tempo.

Odeio o belo porque me fere como ser humano. Odeio a futilidade que reside em mim. Odeio pensar que já tive ideais e os matei pouco a pouco. Como poderia uma enfermeira da Cruz Vermelha usar sapatos de salto agulha pink para combinar com seu echarpe pink, junto ao seu pretinho nada básico de corte assimétrico? Um dia também planejei ser educadora e viver no nordeste do país com pouco a receber e muito a dar.

E hoje planejo conquistar um cargo público para me sentir segura e comprar uma casa. Talvez depois planejar filhos, assim como se planeja uma viagem de férias e mais à frente planejar a educação deles, contando para que não nasçam tão perdidos ou idealistas como eu ainda sou.

E tudo isso só me leva a uma conclusão: a de que matei alguém dentro de mim. E esse outro alguém que tomou conta do meu corpo se preocupa com questões pouco importantes para ele mesmo. Esse alguém é invejoso da leveza de ser ignorante e ingênuo, é cruel, impiedoso, sarcástico, impaciente e arrogante!

Sim, extremamente arrogante, diante da própria pequenez olha o outro de cima, com olhar espremido e esgueirado pensando que sabe a verdade do mundo e é mais consciente. Quando na verdade não sabe nem a verdade sobre si mesmo.

E vaga solitário e esquecido nesse mar de incertezas, esperando por um sinal que nunca chega...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mulheres possíveis

A mulher da página 194 da revista Glamour,
edição de setembro, matéria sobre autoimagem.

Depois de um feriado meio estressante, em meio a conflitos internos, mágoas e raiva contra o inevitável, me deparei com a reportagem "Barriga sim, e daí?" da revista Época de 31 de agosto de 2009. E de repente, boooom! Algumas coisas vem realmente a calhar...
Se você tiver interesse em ler o artigo, pode me pedir a revista emprestada ou acessar o site: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI90336-15228,00-BARRIGA+SIM+E+DAI.html

Here's the deal: The picture wasn't of a celebrity. It wasn't of a supermodel.
It was of a woman sitting in her underwear with a smile on her face and a belly that looks...wait for it...normal.

O que isso quer dizer? Por que foi tão impactante e teve tanta repercussão?
Será q estamos entrando em um momento de realmente repensar o padrão de beleza imposto? Um padrão totalmente irreal e absurdo que nos leva a uma eterna busca pelo inalcançável e conseqüentemente a uma eterna frustração...
No momento em que todas as pessoas em exposição são magras, saradas, loiras, de nariz fino, olhos claros e pele reluzente, temos a impressão de que se não somos assim algo há de errado em nós mesmos. E daí a busca frenética em se adequar ao que todos achamos que seja o belo. Mas o belo já mudou tanto durante a história da humanidade...
Por que continuamos a nos torturar por não termos os peitos siliconados das atrizes americanas, a barriga lipoaspirada da vizinha, ou a bunda perfeitamente enxertada da garota do momento se sabemos que é tudo uma construção, algo irreal?
Assim como não é real todas aquelas fotos de revistas de moda, de beleza e etc... Quanto photoshop, maquiagem, luzes, truques foram usados para nos tapear? E quanto disso tudo é real? Lembrem-se daquela campanha fabulosa da Dove pela real beleza http://www.youtube.com/watch?v=2DiHXFaCHWk. Engraçado como o mesmo meio que nos engana, pode nos abrir os olhos...
Isso é parte de outra problemática na minha vida. Cansei da publicidade. Não posso mais me enganar e sentir que engano os outros e também não posso mais fazer de conta que não é comigo... Publicidade é criar necessidades antes inexistentes, é vender ideais construídos por alguém que quer vender algo, é enganar, é fakear, é correr em busca de dinheiro sem se importar em como fazê-lo... Mas isso fica para um próximo post.
Aqui o debate é a busca por uma perfeição que não é real. Pessoas sofrendo em busca dessa perfeição. A tristeza de saber que pessoas morrem em busca dela. De saber que adolescentes sofrem diariamente de bulimia e anorexia ao invés de estarem se descobrindo como pessoas e aproveitando uma fase tão única da vida. Outras se submetem a cirurgias arriscadas para se transformarem no que os outros desejam que sejam.
Não vou dizer que é fácil não ser influenciada por um bombardeio de imagens e apelos pelo ideal moderno de corpo e perfeição. Claro que é difícil e eu vivo nesse mundo! Não há como não ser afetada, mas o fato é que eu tento lutar contra a parte de mim que quer ser como a modelo da revista de moda. Porque aquilo é dizer adeus à Denise que pensa e tem sua individualidade, suas fúrias e desejos, suas frustrações e medos. É apagar a minha exclusividade como ser humano único.
Não é maravilhoso como nós, que somos tantos, podemos ser diferentes uns dos outros (tirando os gêmeos univitelinos)? É incrível e fantástico como a natureza consegue diversificar tanto... E agora estamos fazendo o caminho inverso. Estamos nos tornando um bando de barbies siliconadas, plastificadas e lipoaspiradas. Todas e todos iguais uns aos outros. Tudo porque o diferente é feio!
E não adianta boiar na superfície e aparecer com o clichê de que temos que fazer o que nos faz sentir bem, portanto "se te cortar em mil pedaços, reconstruir e fazer sofrer seu pobre corpo vai te fazer feliz, então faça! Se for morrer de fome e anemia, faça! Se for arriscar perder os movimentos faciais, faça!" Isso é pura babaquice e superficialidade... É querer arranjar desculpa para se deixar cair na marcha das formiguinhas... E não te culparia por querer marchar junto, desde que seja uma escolha feita por opção pensada. Talvez um dia eu mude de idéia e queira me deixar levar por tudo isso porque é mais fácil mesmo. Mas não negue para si mesma a necessidade que te levou a isso. Não se esconda atrás de uma apologia a liberdade de expressão. Primeiro porque liberdade se tem quando não somos manipulados e sim, a mídia nos manipula e todos os valores são construídos pela sociedade em que nos encontramos. Portanto, não há como achar que você vai ser mais feliz com o botox só porque é a única coisa que falta para te fazer completa, porque daqui a um tempo sentirá a necessidade de colocar aquele silicone nos seios, afinal Deus não foi generoso com você... A frustração será eterna! Sabe por quê? Porque o ideal que temos de beleza é irreal e inalcançável e você, cara mortal, não pode alcançá-la sem ter que se anular primeiro.
Eu quero um mundo onde se valorize outro tipo de beleza, onde essa beleza seja possível, onde possamos ser mais felizes e satisfeitas consigo mesmas...
Auto-estima é tudo e se continuarmos a matar a mulher linda que vive dentro da gente, não sobrará mais nada para oferecer, somente a carcaça construída de algo que já foi esteticamente perfeito...
Ou você acha que sua pele vai aguentar tanto silicone aos 70 e tantos anos de idade?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Finding the Girl

With this one, I can say that I´ve held about four or five blogs. Today, all inactive. Perhaps caused by some shame of my insipid writing, perhaps caused by the fear of such exposure, since I was signing with my own name and not even depurating what was coming through my mind. Everything, including the worst thoughts, plainly handed from it to my fussy fingers on the keyboard.
First I´ve thought about writing something poetic and romanticized. Two posts came out of this feeling. Posts that will be forgotten. Memories of happy fragments of my developing loving. We all got some cute and romantic litlle stories that bless our illusory and frustrating western way of understanding love and sex.
But the construction of the romantic bond can be just the relief for our existential pain, as well as the religions.
We were trained to dream about the perfect match, someone who is able to feed all our anguish of being alone in the world. Yes, cause after we were delivered to this fantastic world, we had to familiarize with the loneliness of a place without the warm and confort of the womb. And then, we have to spent a whole life looking for something to fill in the hole caused by this.
This false dream where the other cannot have an individual life, cause it´s supposed to be two in one, brings us to a reflection about what is inherent to us or what is cultural. Of course, our society makes us believe that most of our feelings were always there. But why in some cultures is polygamy completely acceptable without jealousy?
And why is this jealousy so important to us as an evidence of true love?
We will always be frustrated if we keep looking for this impossible human being. Someome who can complete another human being just does not exist!
The idea of exclusivity is cozy but unbearable. For sure I would love to have someone so in love with me that this love would blind and isolate him from the external world. But what a damn selfish I would be! Someone who cannot see other attractive beings would be someone sick. And it´s sad and cruel.
On the other hand, how do we cope with this feeling of rejection now that we´ve got a whole history and background that support this illusion?
It´s a question that I´m trying to answer...